Entre raízes e saberes: o baobá como ferramenta de educação antirracista
Palavras-chave:
baobá, interdisciplinaridade, ciência, educação antirracista, educação ambientalResumo
Este artigo apresenta o projeto de extensão “Baobá: raízes ancestrais, cultura e ciência no IFSP Matão”, cujo objetivo foi promover o (re)conhecimento da árvore baobá (Adansonia digitata) como objeto de estudo interdisciplinar, contribuindo para uma abordagem crítica e decolonial do continente africano. A proposta buscou desconstruir visões estereotipadas e eurocentradas sobre a África, ao mesmo tempo em que colaborou ativamente para a implementação das Leis no 10.639/03 e no 11.645/08, que estabelecem a obrigatoriedade do ensino da história e cultura africana, afro-brasileira e indígena em todos os níveis da educação nacional, e a Lei no 9.795/99, que instituiu a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA). O baobá, uma das maiores e mais longevas árvores do planeta, ocupa lugar de destaque em diversas paisagens africanas, possuindo significados simbólicos profundos e desempenhando funções vitais na vida de inúmeras comunidades. Sua relevância histórica, cultural, ecológica e econômica — seja como reservatório de água, fonte alimentar, medicinal ou elemento da cosmologia africana — tem sido amplamente reconhecida em contextos locais. No entanto, ainda é pouco difundida no Brasil, em razão do persistente apagamento da história e das contribuições africanas para a formação da sociedade brasileira. O projeto, desenvolvido por uma equipe multidisciplinar composta por docentes, pesquisadores, bolsistas e colaboradores externos, teve como foco central o aprofundamento dos conhecimentos sobre o baobá por meio de pesquisas bibliográficas e de campo, do mapeamento dos exemplares plantados na cidade de Matão (SP), da escarificação de sementes, da produção de mudas e da elaboração de materiais informativos interdisciplinares. Além disso, promoveu ações formativas como oficinas, rodas de conversa e eventos educativos abertos à comunidade. As atividades realizadas ao longo do projeto proporcionaram uma experiência formativa imersiva que integrou ciência, cultura e história, revelando o potencial pedagógico do baobá como ferramenta para uma educação antirracista e de valorização dos saberes africanos e afro-diaspóricos.